Músicas
Classificadas
1 - BRASIS ( CLAUDIO
CHAVES - PONTA GROSSA/PR )
São patuás, cabaças e bombachas,
são as estradas de Minas
Igarapés, serrados, pampas, matas, são
cidades peregrinas
Acordes insones num ritmo louco que embalam nossas
meninas
São os Brasis na mescla cor parda da tez
São os Brasis na mescla cor parda da tez
São estrangeiros, guerreiros da paz no celeiro
do mundo
Nos sertões, seringais, pantanais
Há quem tem nada ou tem tudo
É o rabo de arraia, a cilada, atocaia e o
jogo sujo, imundo
São os Brasil que a ilha/Brasília
não vê
São os Brasil que a ilha/Brasília
não vê
São lavadeiras que cantam nos rios, são
tantas preces e crenças
É a esperança nos dias vazios, batalha
inerte e imensa
A colheita agora vinga, aflora de mãos, ah,
tão tensas
São o Brasis na luta de quem não tem
vez
São o Brasis na luta de quem não tem
vez
Eram meninos suas cantorias e os corações
tão vermelhos
Olha o destino, olha a armadilha... Olhos ficaram
vermelhos
E foram perdendo brilho, a coragem e os sonhos em
frente ao espelho
Nesses Brasis da ausente e total lucidez
Nesses Brasis da ausente e total lucidez
2 - CIDADE DA PAZ
( MARCIA CHERUBIN - SANTO ANDRÉ/SP )
Histórias de homens comuns desta cidade
Meninos correndo descalços sem piedade
Os muros, as grutas e o vento
Os sinos, o sol e o coreto
Que traz a canção dos bons homens
de paz
Mulheres que fazem o pão de cada dia
Fermento, o trigo e o sal de manhãzinha
Rosários e terços de contas
Os santos, as missas e os cantos
Que entoam as preces aos anjos em paz
Menino jesus dorme na simplicidade
Nas salas das casas dos homens da cidade
As velas, os padres e o tempo
A óstia sagrada e o templo
Da fé das mulheres dos homens de paz
Pipas que fazem desenbos de traços que correm
nos ventos
Pipas são felicidade, enfeites no céu
da cidade
Luas são pérolas brancas, redondas
bordadas e santas
Luas são pura verdade que moram no céu
cidade
Ventos que movem moinhos, se deitam nos braços
dos rios
Ventos são sopros do tempo, os sonhos dos
cataventos
3 - A CORDILHEIRA
E O RIO ( ANTÔNIO CARLOS MARIANO - RIO DE
JANEIRO/RJ )
De pachamama nasce um rio
Mãe, mulher, cordilheira
Mais que um rio
Ventre da américa no cio
Sou jaguar e o condor
Velando por sua nascente
Entre as pernas das serras
Amazonas,
Galopando a penetrar no mar
Mão, oh mar, água-estrada, serpente
emplumada
Espelho da lua, morada de yara
Inti, vem mergulhar
Boto vem namorar
Viveram vivem em mim
Guerreiros, xamãs, cunhãns, curumins
Yanomamis, tikunas, mochichas, bororós
Nascas, tukanos, aymarás, kaiapós
Mayas, tenharins
Que a sagrada vida seja
Água brotando divino mistéio
No alto das cordilheiras
Seja clara, não vermelha
Feito fogo que consome a vida
A mata inteira
Valei-nos tupã
Jurupari, nhanderú
Ajuricaba, chico mendes, tupac amaru
Tramas da mesma teia
Fios da mesma rede
Gentes de uma só tribo
Seres da mesma aldeia
4 - DE ABCDÊ A BILBOQUE ( IVÂNIA
DO NASCIMENTO CATARINA - SÃO PAULO/SP )
Fim de tarde
Na varanda da fazenda
Um mate quente, um violão
Na cadeira de balanço
No meu colo rindo dos seus sonhos
O meu guri
Aí, me lembrei de mim quando menino
Meu medo das assombrações
Tangolomango, dos curês e dos vilões
Histórias que o meu velho pai contava
Que nos enchiam de pavor
Senti saudade de seu cobertor
Contava que a terra toda agradecia a chuva
Rebentando em plantações, em flores
Também em espinhos de mandacaru
Me ensinou a perceber que no horizonte
Tinha um hiato entre o céu e o chão
E nunca ir lá
Que era a casa da escuridão
Fim de tarde
Na varanda da fazenda
Um mate quente, um violão
Valsas, choros e milongas
Vibram cores na tez do guri
No anoitecer
Lembrei de mim olhando o entardecer
Depois de ler abecedê
Do minuano girando o cata-vento
Matando as horas com um bilboquê
Sabia sem querer saber
Que não virias, nunca mais, me ver
5 - DIA IRÁ CHEGAR ( GUSTAVO DALL
ACQUA/GRUPO VOZ - SÃO PAULO/SP )
Revirou a noite,
andarilho e só
Sem a calmaria da terra
que havia deixado,
chorou
Encontrou seu erros,
Autoconsiderações...
Na cidade das vaidades
Sentiu a verdade, em si
Aumentou o pulso,
Arriscou-se no caos
Separou no instante a poeira do sal
Viu que dentro dele havia
um segredo, um medo,
E então resolveu avançar
E visitou aquelas moças,
antigas paixões
E remoeu as próprias guerras, desilusões
Perguntou, refletiu,
Estranhou a imagem no espelho,
Afinal, ele nunca se viu
E atreveu-se a se mostrar
sem mais pudor
Cancelando tudo o que aprendeu
Religou os pontos, as vidas
Imensas são as nossas violências
namorando o avesso do sol
O amor luzia radiante
E num rompante desfez e se foi
Mas não se apaga
Dia irá chegar!
Claridade vinda do dia irá chegar!
Raia a inavasora manhã, irá chegar...
Corações são asas, vem...
Avoar!
Quem diria ao seu retrato:
"não te soul"?
Quem revelaria, à luz do dia,
a sua escuridão?
Quem ousaria ser
tão pequenino grão?
O amor luzia radiante
E num rompante desfez e se foi!
Mas não se apaga jamais
Dia irá chegar!
Claridade vinda do dia irá chegar!
Raia a inavasora manhã, irá chegar...
Corações são asas, vem...
Avoar!
[nas trincheiras]
[nas aldeias]
[e nos homens de bem]
[é certeira a manhã, avem avoar]
6 - CANTANDOA MINHA
TERRA ( ADÃO MARTINS - PEREIRA BARRETO/SP
)
Eu vim de lá vim de lá
Já tava moço pra viver aqui
Nos braços de outra terra
Eu vim de lá vim de lá
Já tava moço pra viver aqui
Cantando a minha terra
Tenho saudade daquele fogão de lenha
Do biju de tapioca da casinha lá da serra
da lua cheia prateando o céu da boca
No ponteiro da viola junto da minha cabocla
Lá os poetas tem até clube da eaquina
Onde a noite é uma criança e o bituca
solta a voz
A culinária copiada mundo afora
As obras de aleijadinho orulho de todos nós
Eu vim de lá...
Eu sou de lá...Eu sou de lá
Eu sou de lá...Da terra do...uai
Eu sou de lá...Eu sou de lá
Eu sou de lá...Das Minas Gerais
Iê iê iê...Eu vim...
7 - COMEÇO, MEIO E
QUASE FIM ( WILLIAN ROBERTO SANTOS - PEREIRA BARRETO/SP
)
Terra que brota a força da água que
escorre por entre as nações
Água que leva a vida pra toda semente virar
plantação
Árvores se espalhando e verdejando nosso
chão
Sustentando nossa fauna que grata, a semente devolve
ao chão.
Força do mundo que brilha nos olhos dos bichos
através do luar
Estrelas que inspiram canções quando
um compositor resolve se declarar
hoje, do céu, caem lágrimas de "Alguém"
que chora por não ver o que deixou
"Árvores e rios"...E os pássaros
hoje, não são mais...como nos tempos
que ficaram para trás.
Respeite a terra, respeite o ar...
Respeite a vida, minha gente! O que é que
há?
Sua criança vai crescer
E quando o seu neto chegar
Talvez precise dessa água que hoje não
faz questão de econmizar.
Olhe o Nordeste, meu Brasil! É dura e crua
a realidade.
Imagine os seus netos bebendo lama...comendo "palma".
Hoje, do céu, caeem lágrimas de alguém...
Que chora por não ver o que deixou.