• Antes
de contar sobre a vinda dos imigrantes japoneses à este
Município, precisamos saber, quando, como e com
que objetivos eles vieram ao Brasil.
Embora o ano de 1908 seja considerado o marco "zero" da história
com a chegada do primeiro contingente de imigrantes ao Brasil, vários
japoneses já residiam antes desta data, inclusive uma loja da filial Fujisaki
funcionava em plena Rua São Bento, em São Paulo.
• Acredita-se que o interesse dos japoneses pelo Brasil
tenha iniciado já na época do nosso Império, porém,
os anais registram que o primeiro japonês que visitou o Brasil foi um deputado
chamado Massayo Neguishi em 1884, a mando do Ministério do exterior do
Japão.
• Ele percorreu várias localidades nos Estados
de Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo durante quarenta dias. De regresso,
apresentou seu relatório de observação, assinalando que
o Estado de São Paulo seria o local de escolha, num eventual envio
de imigrantes japoneses.
• O Brasil por sua vez, estava à procura de mào-de-obra
no exterior. Um representante da firma Prado & Jordão esteve no Japão
e firmou um contrato particular com uma companhia de imigração
japonesa para a vinda de trabalhadores, mas que acabou sem resultado.
• Somente no ano de 1895, o Brasil firmou o primeiro tratado
de Comércio Marítimo com o Japão, e no mesmo ano, um diplomata
japonês passou a residir no solo brasileiro.
• Em 1897, um representante da Companhia de Imigração
Tôyô, chamado Aoki veio ao Brasil, firmando um contrato com Prado & Jordão
para o envio de 1.500 japoneses que se obrigavam a trabalhar durante alguns anos
nos cafezais paulistas. Em vista deste contrato, a Tôyô arregimentou
os 1.500 imigrantes e a saída do vapor "Tosa Maru" estava preparado
para zarpar no dia 15 de Agosto de 1897. No entanto, faltando apenas 4 dias da
data marcada para a partida, a firma Prado & Jordão informou o rompimento
unilateral do contrato, alegando a baixa do café.
• Na época, tanto o Ministro Oliveira Lima da legação
brasileira no Japão, como os dois primeiros ministros representantes japoneses
no Brasil, respectivamente Chinda e Ookoshi, não eram favoráveis
ao envio de imigrantes japoneses ao Brasil.
• Decepcionado talvez, pela atitude da firma brasileira
que causou enorme prejuízo e transtornos aos japoneses, o assunto da imigraçào
ao Brasil voltou à baila somente no ano de 1905, quando os grandes jornais
japoneses divulgaram um relatório altamente elogioso em relação
ao solo e futuro do Brasil, enviando pelo ministro Fukashi Suguiura, o qual representava
o governo japonês da época, em Petrópolis. Antes da sua vinda
ao Brasil, Suguiura ocupava o cargo de chefia do Departamento Comercial do Ministério
do Exterior, e era conhecido como ferrenho opositor da imigração
ao Brasil. A mudança radical da sua posição causou espanto
nos meios oficiais, mas serviu de estopim para concretização da
futura corrente imigratória para o Brasil.
• Assim, nos anos de 1906 e 1907, Ryú Mizuno, presidente
da Companhia de Colonização Kôkoku, visitou seguidamente
o Brasil, a primeira para inteirar-se do ambiente e condições agrícolas,
e a segunda para firmar contrato com o Governo de São Paulo. Por este
contrato, Mizuno deveria enviar 1.000 imigrantes anuais, num total de 3.000.
A primeira leva deveria chegar em Maio de 1908 e nos anos subsequentes, entre
os meses de Abril e Maio que corresponderia à época do início
das colheitas de café, quando os cafeicultores careciam de mão-de-obras.
• O contrato entre a companhia de Colonização
Kôkoku e o Governo de São Paulo estabelecia que os imigrantes deveriam
estar no Brasil no mês de Maio. No entanto, lá no Japão as
coisas não andavam tão rapidamente como se esperava. O ministro
Uchida, representante da legação japonesa no Brasil enviou um telegrama
a Kôkoku dizendo que o Governo Paulista romperia o contrato, caso os imigrantes
não chegassem até o mês de Junho.
• A exiguidade de tempo disponível para arregimentação
de 1.000 imigrantes foi um dos motivos do atraso. O contrato fora firmado no
dia 6 de Novembro de 1907 e os imigrantes tinham que embarcar o mais tardar no
início do mês de Abril. Considerando que na época a viagem
levava cerca de dois meses, o contrato só poderia chegar ao Japão
no mês de janeiro de 1908, o que realmente aconteceu. Dispunha portanto,
menos de 4 meses para arregimentação e preparativos.
• Mas de uma ou outra forma, a Kôkoku com o apoio
dos órgãos oficiais do governo, desencadeou uma intensa propaganda
do Brasil, em busca de pretendentes, conseguindo arregimentar no período
de 3 meses 791 imigrantes enquadrados.
• O maior contigentes provinha de okinawa, para onde foi
feita maior campanha, não só porque os provincianos desta região
já haviam emigrado para Ilha Hawai, mas também pela provável
facilidade de adaptação ao clima tropical do Brasil.
• Sobre constituição da família do
imigrante, o contrato estabelecia que deveria ter pelo menos 3 adultos trabalhadores.
Encabeçado pelo casal-chefe, podiam incluir os parentes de 2ª grau,
num total de 10 membros no máximo. Para se enquadrar nesta forma do contrato,
formaram-sevários casais fictícios e improvizados o que causou
transtornos na distribuição dos leitos no navio e na Casa da Imigração
em São Paulo, causando estranheza às autoridades brasileiras.
• O "Kasato maru" (6.00 ts.) sob comando do
capitão Inglês A.G. Stevenson estava preparado para zarpar do porto
de Kobe (Japão) no dia 16 de Abril de 1908, porém se deu o atraso
de 12 dias da data prevista, por motivo da exigência governamental
japonesa.
• Finalmente às 17 hs. e 55 minutos do dia 28 de
Abril, partiu do porto de Kobe rumo ao Brasil. Num ambiente de festas, rojões,
banda de música, chuva de serpentinas entre pessoal de bordo e cais, muitos
banzais (viva-viva) e lágrimas de uns e outros (segundo testemunhas).
• Após penosos 52 dias de viagem pelo transatlântico,
os imigrantes chegaram em Santos e deram seu primeiro passo de aventuras em busca
de fortuna e felicidades nas terras brasileiras. Isso ocorreu no dia 18 de Junho
de 1908, vieram 167 famílias com 791 pessoas, sendo 601 pessoas do sexo
masculino e 190 pessoas do sexo feminino, tendo como líder o Sr. Ryú Mizuno.
Portanto, este ano (1978) vamos comemorar o Septuagésimo ano da Imigração
Japonesa no Brasil, pois eles foram os primeiros imigrantes contratados que vieram
para nosso País.
• Pelo que conta a história da imigração
japonesa no Brasil, todos eles foramtransportados pelos navios japoneses com
subsídio do governo japonês.
• O objetivo da vinda desses imigrantes era ganhar a vida
na terra nova, em menor espaço de tempo possível, e repatriar à província
de sua origem, para viver o resto da vida mais confortável e tranquilamente.
Achavam que dentro de 5 ou no máximo 10 anos, trabalhando no Brasil, conseguiriam
a fortuna sonhada. Entretanto a realidade não era como eles sonhavam
e planejavam.
• Nos primeiros 10 anos todos os imigrantes japoneses
foram trabalhar nas fazendas de café, principalmente na zona magiana,
posteriormente nas Sorocabanas, Araraquarense, Paulista e finalmente na Noroeste.
• Eles eram contratados por uma ano de trabalho obrigatório
na mesma fazenda.
• O trabalho iniciava ao clarear do dia e só findava
ao por do sol. Eles sofreram bastante com excesso de trabalho, estranhando o
clima, os costumes, a alimentação e ignorando a língua portuguesa;
estranharam o calor do dia, por não estarem acostumados ao sol da
zona tropical, pois eram provenientes de clima temperado.
Depois de trabalho obrigatório de um ano na mesma fazenda, então
tinham direito, isto é, liberdade de escolher outro campo de trabalho
como: empreitar formação de novos cafezais, ou parcerias nos
cafezais formados etc.
• Muitos governadores da províncias do Japão
se preocupavam com os imigrantes das suas províncias que vieram e vinham
ao Brasil, pois sabiam que eles estavam sofrendo extraordinariamente na Nova
Terra, por falta de apoio, recursos e baixo salário. Muitos imigrantes
abandonavam a fazenda, principalmente os solteiros, por não se sujeitarem
a esse tipo de trabalho.
• Objetivo do Governo Japonês era fixar os seus
emigrantes no Brasil, entao resolveu; se mandassem, cada família para
sua propriedade, eles fixariam definitivamente suas residências no
Brasil.
• Finalmente em 1º de Agosto de 1927, os doze governadores
das províncias japonesas reuniram-se em Tokyo, e fundaram a Federação
de Cooperativa da Colonização no Exterior, com o nome de "Kaigai
Ijuukumiai Rengô Kai", antecessora da "Sociedade Colonizadora
do Brasil LTDA.", e, no dia 06 do mesmo mês, realizaram a primeira
Assembléia Ordinária da Fundação, para eleger os
membros da diretoria. Nessa reunião compareceram governadores das províncias
japonesas: Hokkaidô, Mie, Yamanashi, Iwate, Okinawa, Yamaguchi, Wakayama,
Fukuoka, Ehime, Kagoshima, Hiroshima e Kagawa (o Japão está dividido
em 47 províncias).
• A primeira diretoria foi assim cconstituída:
Diretor Presidente, Dr. Hichita Tatsuki, que foi ex-embaixador do Japão
no Brasil; Diretor Gerente, Dr. Mitsussada Umetani, ex-governador da Proviíncia
de Nagano. O Diretor Presidente trabalhou junto ao governo japonês com
o fim de obter os subsídios do governo, para formação de
núcleo de colonização no Brasil.
• Assim que conseguiram os subsídios necessários,
mandaram o Diretor Gerente e seu auxiliar o Sr. Ikutaro Aoyanagui, na segunda
quinzena de Outubro de 1927, ao Brasil, a fim de adquirir duas glebas que
satisfazessem os seguintes requisitos:
a) que estivessem situadas nos estados de São Paulo ou Paraná.
b) que tivessem mais de 10.000 alqueires.
c) cujo preço fossem menos de 250,000 (duzentos e cincoenta mil réis)
d) que estivessem situadas a menos de 40 kms. da Estação ferroviária.
e) que fossem de terras salubres e férteis.
f) cujas escrituras fossem legalmente garantidas.
g) que fossem ricas em água, era indispensável ter aguada em
cada lote de 10 alqueires depois de loteado.
• O Dr. Mitsussada Umetani nomeou no Brasil duas pessoas
para pesquisar e explorar as glebas para serem compradas. Essas duas pessoas
foram: o Sr. Tokuya Koseki, que foi o 4º administrador da Fazenda Tietê (posteriormente
P. Barreto), e o Sr. Sentaro Hatanaka, que fou administrador da fazenda Bastos
durante 30 anos, Os dois homens andaram fazenda por fazenda, a partir de Janeiro
de 1928 à procura da terra Ideal. O Dr. Mitsussada Umetani pediu também
a colaboração do seu conterrâneo e experiente administrador
da fazenda Aliança, o Sr. Syungoro Wao, na escolha da gleba em questão.
O Sr. Syungoro Wako atendeu com muito prazer o seu pedido, apresentando aos colegas
o seu particular amigo, o Senador Rodolfo Miranda, que tinha escritório
em Araçatuba. O Senador tinha amplo conhecimento entre os fazendeiros
da região,e apresentou aos interessados o Cel. Jonas Alves de Melo
que estava desejando vender maior parte da sua propriedade.
• Nessa época a entidade de Colonização
da Província de Nagano do Japão (Shinano Kaigai Kyôkai) já tinha
adquirido em 1923, uma gleba de 5.500 has. (atual 1ª Aliança), em
1926 5.000 has. (2ª Aliança), e em 1927 4.250 has. (3ª Aliança)
pertencentes atualmente ao Município de Mirandópolis na Alta Noroeste,
já tinha iniciado a formação de núcleo de colonização
nas Alianças, onde o Sr. Syungoro Wako era administrador.
• Em junho de 1928, reuniram-se os cinco homens: Dr. Mitsussada
Umetani, Srs. Ikutaro Aoyanagui, Syungoro Wako, Sentaro Hatanaka, Tpkuya Koseki
e estudaram os reletórios enviados sobre as fazendas especuladas e pesquisadas "in
loco" pelas três pessoas citadas.
• Depois de muito estudo, resolveram comprar duas glebas:
a Fazenda Bastos e a Fazenda Tietê (Atual P. Barreto). A primeira foi comprada
no dia 18 de Junho de 1928, e a segunda foi firmado o contrato de compra e venda
da fazenda com o Cel. Jonas Alves de Melo, no dia 9 de Agosto do mesmo ano, a
gleba era formada de duas fazendas: Urubupungá e uma parte da fazenda
Araçatuba. O Cel. Jonas Alves de Melo reservou uns mil e trezentos alqueires
para sua família, e vendeu o restante da área de 46.690 alqueires.
• A gleba na época, estava situada no Município
de Monte Aprazível da Comarca de Sào José do Rio Preto.
• Esta transação se deveu muito ao sacrifício
e trabalho do esforçado fundador e primeiro administrador deste município
o Sr. Syungoro Wako, que trabalhou incansavelmente para a aquiseição
da gleba, entrando em contacto com vários credores do Cel. Jonas Alves
de Melo, tai como: Banco do Brasil S.A., Banco Comércio e Indústria
de São Paulo S.A., esposa do falecido Cel. Leon Pio Freitas, General Investimento
S.A., Dr. Preciano Pinto de oliveira etc. Prometendo assumir e liquidar todas
as díidas do proprietário da gleba, dentro de pouco espaço
de tempo. Segundo o Sr. Syungoro Wako, essa gleba foi adquirida na época,
por noventa mil réis (Cr$ 90,000)por alqueire. A gleba tinha linha divisória
de 171 quilômetros, inclusive 57 quilômetros margeando o Rio Tietê e
25 quilômetros margeando o Rio São José dos Dourados. A altitude
máxima era de 450 ms., sendo que 2/5 da gleba estava situada entre
350 a 400 ms de altitude.
• Como a entidade de colonização ainda não
era reconhecida no Brasil, o contrato de compra e venda dessa vasta gleba foi
passada em nome físico do Dr. Mitsussada Umetani que, por su vez, sentiu
a necessidade de nacionalizar e registrar a entidade de colonização
no Brasil. Assim que conseguiu comprar as glebas, imediatamente regressou ao
Japão, para informar o acontecimento e tratou de providenciar a nacionalização
da entidade. Finalmente, em 30 de Março de 1929m foi registrada em São
Paulo, essa nova entidade de colonização nacionalizada, com o nome
de "Sociedade Colonizadora do Brasil LTDA.". No dia 30 de Abril do
mesmo ano essa vasta área foi registrada em nome da Sociedade Colonizadora
do Brasi LTDA.
Dr. Mitsussada Umetani, ao regressar à sua terra natal, deixou aqui nomeados
dois administradores das fazendas adquiridas, para imediata iniciação
da colonização. tratava-se dos senhores: Sentaro Hatanaka para
a Fazenda Bastos e Syungoro Wako para a Fazenda Tietê (posteriormente
P. Barreto).
• O primeiro administrador nomeado desta Fazenda Tietê entrou
em atividade em 1º de Setembro de 1928. Como já exercia função
de administrador na Fazenda Aliança, ele veio aqui trazendo elementos
daquela Fazenda para desbravar, já naquele mês, a selva, às
margens do Rio Tietê. Seus principais auxiliares foram os Srs. Sumikawa,
Akiyama e Namiki.
• Em 16 de Outubro de 1928 os desbravadores acabaram de
abrir a picada margeando o Rio Tietê, do centro da Fazenda (atual Pereira
Barreto) até o local onde instalaram a balsa, em frente à antiga
estação ferroviária de Lussanvira.
• Em 25 de Outubro desse ano, iniciaram a construção
dessa estrada a Lussanvira.
• Em Dezembro de 1928, iniciou-se a construção
da estrada que ligava o centro da Fazenda até as terras que iam ser loteadas.
Construiram o escritório provisório da Sociedade Colonizadora,
em frente à estação de Lussanvira.
• Iniciaram também as construções
da primeira serraria e olaria, às margens direita e esquerda respectivamente
do córrego Ponte Pensa.
• Em fins de 1928 e começo de 1929 choveu abundantemente,
inundando as margens do Rio Tietê, consequentemente dificultou todos os
serviços iniciados.
Fonte: Livro "Pereira
Barreto - A Cidade que vi nascer" |